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Tablets e e-readers mudam hábitos de leitura nos EUA

A obsessão dos Estados Unidos pelos tablets começa a provocar um aumento da leitura de livros eletrônicos, mostra uma recente pesquisa, uma tendência que deverá reduzir o apelo dos livros impressos e abalar o negócio secular das editoras.

A parcela de americanos que leem livros digitais aumentou de 16% para 23%, enquanto o número de adultos que leem livros impressos caiu de 72% para 67%, de acordo com os dados de um estudo divulgado na quinta-feira (27/12) pela Pew Internet & American Life Project.

A rápida e dramática mudança dos hábitos de leitura foi produzida pelo aumento da popularidade dos tablets e dos aparelhos para leitura, que foram adquiridos por um terço da população americana até este momento.

Os tablets – uma categoria criada pela Apple há apenas dois anos – ultrapassaram os leitores eletrônicos, como o Nook, da Barnes & Noble, ou o Kindle, da Amazon, segundo a Pew. Um em cada quatro livros eletrônicos está sendo lido num tablet, em comparação com um em cada dez, no ano passado.

“Ainda não chegamos a este ponto, mas podemos imaginar que a experiência com livros no futuro será drasticamente diferente do que é hoje”, disse Lee Rainie, diretor da Pew Internet & American Life Project. “Será uma experiência multimídia, extremamente socializada e talvez implique até uma ampla colaboração.” Os tablets, como o iPad, foram vendidos a um ritmo recorde tratando-se de um novo hardware, e o apetite dos consumidores por estes gadgets não dá sinais de se reduzir.

Outras companhias, que tentam abocanhar a fatia de mercado da Apple, trataram de lançar rapidamente ofertas mais baratas, como os tablets Nexus, do Google, e o Kindle Fire, da Amazon.

As vendas tornaram a leitura digital uma tendência dos negócios totalmente peculiar este ano, dizem os analistas. A IDC, empresa de pesquisa na área de tecnologia, elevou suas previsões de vendas dos tablets para 122,3 milhões para este ano, afirmando que a demanda de aparelhos de computação móveis foi muito maior do que o previsto.

Editoras

A evolução para os livros eletrônicos começa a afetar a economia das editoras de livros modernos. A Borders, gigante das livrarias, faliu no ano passado por não conseguir manter o custo de suas lojas físicas. Ao mesmo tempo, a Barnes & Noble luta para permanecer concorrendo no mercado com o seu Nook.

Até o momento, as editoras se beneficiaram com as vendas de livros eletrônicos. Elas conseguem margens de lucro maiores com os livros digitais porque estes não precisam ser impressos nem distribuídos. Uma vez baixados, muitos títulos podem ser compartilhados e guardados de forma permanente.

Mas o fenômeno do livro eletrônico também concentrou o poder de fixação dos preços nas mãos de um número menor ainda de varejistas.

Neste campo, as vendas são dominadas pela Amazon. No início deste ano, algumas grandes editoras de livros e a Apple foram acusadas de conluio para elevar os preços dos títulos digitais.

A maior parte dessas companhias optou por acordos extrajudiciais, embora a Apple e a Macmillan tenham prometido contestar as acusações.

Os especialistas não acreditam que os livros digitais superarão as páginas impressas. Os livros físicos se prestam mais para presentes, e fotografias e imagens ficam melhor no papel do que na tinta digital, na opinião de Jeremy Greenfield, diretor editorial da Digital Book World.

Mas os livros eletrônicos acabarão talvez se tornando a maneira mais comum de ler livros, particularmente porque as escolas começaram a adotar os tablets, dizem os especialistas.

Um grande número de escolas públicas e privadas adotou programas que colocam tablets nas mãos de crianças em idade pré-escolar. As editoras de livros de texto fizeram parcerias com a Apple e outras fabricantes de aparelhos para colocar mapas, livros de história e revistas de palavras cruzadas nos aplicativos. Cresce o número de bibliotecas que oferecem títulos digitais que podem emprestados, segundo a Pew.

A leitura eletrônica está sendo adotada muito mais rapidamente por adultos ricos, brancos e negros, do que por hispânicos, americanos mais pobres e com um grau de escolaridade menor, disse a pesquisa, destacando uma crescente discrepância em matéria de renda entre os leitores de livros eletrônicos e os que dependem dos impressos.

E quanto leem os americanos? Segundo a Pew, pessoas a partir dos 16 anos leram em média seis livros – digitais ou de papel – no ano passado.

Para a sua pesquisa, a Pew entrevistou por telefone 2.252 pessoas com mais de 16 anos.

Cecilia Kang, do Washington Post
31/12/2012